Introdução à Chapada dos Guimarães
A Chapada dos Guimarães é conhecida como o "centro geodésico da América do Sul", ponto marcado por um obelisco no Mirante do Centro Geodésico, que representa o local mais próximo do centro exato do continente. O município de Chapada dos Guimarães tem cerca de 20 mil habitantes e vive essencialmente do turismo ecológico, agricultura familiar e artesanato. A cidadezinha charmosa, com ruas de paralelepípedo e casarões antigos, serve de base para explorar o Parque Nacional e atrações próximas.
O turismo na região cresceu exponencialmente nos últimos 20 anos, impulsionado pela proximidade com Cuiabá e pela busca por destinos de natureza intocada. Visitantes encontram aqui uma combinação rara: formações rochosas esculpidas pelo vento e pela chuva há milhões de anos, paredões avermelhados que lembram canyons norte-americanos, rios de águas transparentes e uma flora típica do Cerrado com ipês, buritis e orquídeas. A Chapada é também um ponto de recarga de aquíferos que alimentam o Pantanal, o Cerrado e até a Bacia Amazônica, tornando-a essencial para o equilíbrio ambiental do Brasil Central.
A melhor época para visitar é a estação seca, de maio a setembro, quando as cachoeiras estão cheias, as trilhas secas e o céu limpo favorece pôr do sol inesquecíveis. Na estação chuvosa (outubro a abril), algumas trilhas fecham por segurança, mas as cachoeiras ganham volume impressionante.
A ocupação humana na Chapada remonta a milhares de anos, com vestígios arqueológicos como pinturas rupestres em grutas e sítios cerâmicos. Povos indígenas como os bororos e xavantes habitavam a região antes da chegada dos colonizadores. No século XVIII, bandeirantes paulistas exploraram o planalto em busca de ouro, mas a mineração não prosperou devido à dificuldade de acesso.
O nome "Guimarães" homenageia o explorador português Antônio de Almeida Guimarães, que passou pela região. No século XX, a Chapada ganhou fama mística, sendo considerada por alguns como um centro energético do planeta, o que atraiu hippies, esotéricos e artistas nas décadas de 1970 e 1980. Hoje, essa aura permanece em eventos como o Festival de Inverno e em pontos como a Pedra do Equilíbrio.
Geologicamente, a Chapada é um planalto formado há cerca de 800 milhões de anos, composto por arenitos da Formação Furnas. A erosão diferencial criou paredões, canyons, cavernas e cachoeiras. A Cidade de Pedra, por exemplo, é um conjunto de formações que lembram ruínas de uma cidade antiga, enquanto a Caverna Aroe Jari (antiga Gruta da Lagoa Azul) é a maior gruta de arenito do Brasil, com salões imensos e um lago subterrâneo de águas azul-turquesa.
Atrações Turísticas Principais
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães concentra as principais atrações e é administrado pelo ICMBio. A entrada custa cerca de R$ 40 para brasileiros e exige guia credenciado para a maioria das trilhas.
Cachoeira Véu de Noiva: A mais famosa, com 86 metros de queda livre em formato de véu. O mirante oferece vista panorâmica e é acessível por trilha curta. O banho é permitido na piscina natural abaixo.
Circuito das Cachoeiras: Inclui sete quedas, como as Cachoeiras dos Namorados, Andorinhas e Geladeira. Trilhas moderadas levam a poços ideais para banho.
Cidade de Pedra: Formações rochosas esculpidas que parecem torres e castelos. O circuito de 8 km oferece vistas do vale e do Pantanal ao fundo em dias claros.
Morro de São Jerônimo: O ponto mais alto da Chapada (cerca de 850 m), com trilha de dificuldade média-alta (4 km ida e volta). Do topo, a vista de 360° abrange o planalto e Cuiabá.
Caverna Aroe Jari e Lagoa Azul: Gruta com salões enormes e lago de águas cristalinas. O passeio inclui flutuação com colete e iluminação artificial.
Mirante do Centro Geodésico: Marca o centro da América do Sul e oferece vista ampla do Cerrado.
Vale do Rio Claro: Fora do parque, mas próximo, permite flutuação em águas transparentes com peixes, semelhante a Bonito (MS).
Outras atrações incluem a Cachoeira Marimbondo (60 m), o Portão do Inferno (paredão com vista vertiginosa), a Caverna Kiogo Brado e trilhas como a da Cachoeira da Martinha. Para observação de aves, a Chapada registra mais de 300 espécies, incluindo araras-canindé e gaviões-reais.
A culinária da Chapada reflete as influências do Cerrado e de Mato Grosso. Pratos típicos incluem peixes de rio como pintado grelhado com molho de pequi, pacu assado na brasa e dourado frito. O arroz com pequi ou guariroba é acompanhamento obrigatório, assim como a farofa de banana-da-terra.
Restaurantes como o Morro dos Ventos oferecem vista panorâmica e pratos regionais com toques gourmet, como filé com redução de pequi. Na cidade, estabelecimentos como a Pizzaria Portal da Chapada e o Restaurante da Nenzé servem comida caseira abundante. Doces incluem compota de mangaba, sorvete de bocaiúva e bolo de queijo com goiabada.
Muitos restaurantes priorizam ingredientes orgânicos de produtores locais, promovendo o turismo sustentável. Não deixe de provar sucos de frutas do Cerrado como cajá, puçá e murici.
A Chapada oferece opções para todos os perfis. Pousadas charmosas no centro da cidade, como a Pousada do Parque e a Pousada Penhasco, proporcionam vista para os morros e piscinas naturais. Para luxo, o Malai Manso Resort (próximo ao lago do Manso) oferece estrutura completa com spa e atividades aquáticas.
Pousadas ecológicas como a Pousada Vento Sul e a Casa da Quineira são ideais para quem busca imersão na natureza, com chalés rústicos e café da manhã regional. Hostels e campings atendem mochileiros. Diárias variam de R$ 150 (econômico) a R$ 800 (luxo). Reserve com antecedência na alta temporada, especialmente julho.
Muitas hospedagens oferecem pacotes com guias e traslados para trilhas.
O acesso principal é pela MT-251, rodovia pavimentada que liga Cuiabá à Chapada em cerca de 1 hora. Ônibus regulares saem da rodoviária de Cuiabá várias vezes ao dia. Dentro da cidade, táxis e apps de mobilidade facilitam deslocamentos.
Para explorar o parque, o ideal é carro próprio ou contratar agências locais que oferecem traslados e guias. Algumas trilhas exigem veículo 4x4, especialmente na estação chuvosa.
Dicas Práticas para Turistas
Contrate sempre guia credenciado para trilhas no Parque Nacional (obrigatório em várias delas).
Leve roupas leves, tênis com boa aderência, chapéu, protetor solar, repelente e garrafa de água reutilizável.
Respeite as regras do parque: não leve animais, não faça fogueiras, não retire plantas.
Vacina contra febre amarela é recomendada.
Evite visitar grutas e cachoeiras sem guia – há risco de acidentes.
Para fotografia, os melhores horários são amanhecer e entardecer, quando a luz realça as cores avermelhadas das rochas.
Sustentabilidade: prefira operadores que pratiquem turismo responsável e deixe apenas pegadas.
Atividades Especiais e Eventos
A Chapada oferece rapel na Cachoeira Véu de Noiva, tirolesa no Vale do Rio Claro, cavalgadas e trilhas de mountain bike. Eventos anuais incluem o Festival de Inverno (julho), com shows e gastronomia, e o Encontro de Motociclistas.
Para quem busca espiritualidade, pontos como a Pedra do Equilíbrio e o Disco Voador (mirante com forma circular) atraem meditadores.
A Chapada dos Guimarães é um destino que encanta pela grandiosidade da natureza, pela tranquilidade da cidadezinha e pela diversidade de experiências. Seja para uma trilha desafiadora com vista panorâmica, um banho revigorante em cachoeira ou simplesmente contemplar o pôr do sol avermelhado nos paredões, a Chapada oferece momentos de conexão profunda com o planeta. Mais do que um roteiro turístico, é uma oportunidade de recarregar energias em um dos lugares mais belos e preservados do Brasil. Planeje sua viagem com calma, respeite a natureza e volte transformado por essa joia do Cerrado mato-grossense.