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São Jorge: por que o santo guerreiro é tão venerado?

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São Jorge 23 de abril 23 de abril 23 de abril 23 de abril 23 de abril



São Jorge foi um soldado romano que nasceu na região da Capadócia, na Turquia. Embora haja poucas evidências históricas sobre a sua existência, possui milhões de devotos fervorosos de várias religiões: sua veneração é aceita pela Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa, Igreja Anglicana, Candomblé e Umbanda.

É considerado o padroeiro de várias cidades pelo mundo, como por exemplo Rio de Janeiro, Londres, Barcelona, Gênova e Moscou, e também da Polícia Civil e de muitas instituições militares. Tanto a Inglaterra como a Grécia trazem a Cruz de São Jorge em suas bandeiras.

A lenda de São Jorge

Segundo a tradição, havia um dragão castigando a população na cidade de Sylén, na Líbia. Sua pele não podia ser perfurada por nenhuma arma, seu hálito era capaz de exterminar uma população inteira, e para não destruir a cidade ele exigia que lhe fosse oferecida em sacrifício uma donzela por dia, escolhida em sorteio.

Quando chegou a vez da filha do rei, Jorge soube da história e foi até a cidade, determinado a matar a fera e salvar a princesa. Algumas versões da lenda dizem que ele cravou sua lança no pescoço do dragão, outras que ele decepou sua cabeça, e outras que o transformou em um dócil cordeiro. O fato é que afirmou que derrotou o monstro em nome de Jesus Cristo e toda a cidade se converteu.

Foi preso e torturado pelo Imperador Diocleciano por negar a fé nos deuses romanos. No entanto, resistiu bravamente à tortura e sua fé impediu que sentisse dor. Foi enterrado vivo, forçado a caminhar sobre brasas e até arrastado sobre elas sem sofrer nenhuma lesão. Os soldados então, muito assustados, o decapitaram em 23 de abril de 303.

Simbolismo

Para os cristãos, o dragão representa o demônio, o mal e os falsos ídolos, destruídos em nome da fé. No Brasil, sua devoção se popularizou devido a tantas situações de violência extrema vividas em nosso cotidiano. É o santo protetor dos excluídos, dos marginalizados, das vítimas da violência, de injustiças e perseguições e dos profissionais que trabalham para evitar esses males.

São Jorge e as religiões afro-brasileiras

O santo também é muito querido pelos seguidores do Candomblé e da Umbanda, nas quais é associado ao orixá Ogum, uma poderosa divindade guerreira. Esse tipo de sincretismo aconteceu porque os negros trazidos ao Brasil na época da escravidão eram forçados a se converter ao catolicismo e proibidos de cultuar suas divindades. Para fugir de punições e manter viva a sua fé, eles associaram cada um de seus orixás a um santo católico, que apenas fingiam cultuar.

Atualmente, a devoção ao santo chega a ser mais forte nas religiões afro-brasileiras do que no catolicismo.